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ABRIL / 2019 - Poupança X Tesouro Selic
A fala
de que a poupança rende menos que o Tesouro é comum na boca de qualquer
investidor. Mas quanto mais? Será mesmo que vale a pena sair da comodidade da
poupança para colocar o meu dinheiro no Tesouro Direto?
Primeiro
temos que entender os fatores que estão em jogo. E são eles: Liquidez,
Rentabilidade e Segurança. Elenquei esses fatores porque são os que entendo
como essenciais para a aplicação que irá servir de reserva financeira.
-
Liquidez
Apesar
da liquidez da poupança ser imediata (se você quer tirar o dinheiro de lá, não
precisa esperar nadinha. Isso também é chamado de D+0), vale dizer que, se você
retirar fora da data de aniversário, irá perder os juros do mês vigente. Ou
seja, tem que esperar a data de aniversário para fazer qualquer retirada sem
que seja “penalizado” por isso.
Já o
Tesouro Selic rende diariamente e não possui data de aniversário. Contudo, para
retirar o seu dinheiro de lá, terá que solicitar o resgate e esperar o dia
seguinte ao pedido. (O chamado D+1)
1 -
Parece que no quesito liquidez a poupança leva uma ligeira vantagem.
-
Rentabilidade
A poupança antiga rende um pouco
mais que a nova. Como não tenho mais a antiga e também não tenho como investir
nela, vou ignorá-la. A nova poupança rende 70% da Selic quando essa mesma taxa
está igual ou abaixo de 8,5%. Numa conta rápida de padaria temos:
70% de
6,5% (Taxa Selic atualmente) = X% a.a.
~4,55%
a.a - Essa é a rentabilidade da poupança nesse momento.
Isso dá
0,3715% a.m. segundo o Banco Central.
Já o
tesouro direto corresponde à taxa Selic deduzida de impostos. E esses Impostos
são: IOF, IR, taxa do agente de custódia e a taxa de custódia da B3.
O IOF é
cobrado nos primeiros 30 dias, caso algum valor seja retirado. Começa com a
cobrança de 96% sobre o lucro no primeiro dia e vai reduzindo até zerar no dia
30. Depois disso, não há mais incidência de IOF.
O IR
pode ser de 22,5% a 15%, depende do tempo de aplicação. Além disso, ele é sobre
o juros e não sobre o valor aplicado.
O
agente de custódia, que no meu caso é uma corretora, não me cobra nada. Mas tem
uns que cobram valores fixos ou percentuais.
A B3
cobra 0,25% a.a para custódia dos seus títulos do Tesouro Direto.
(Antes
era 0,30%, ela reduziu pra 0,25% nesse ano de 2019)
Com
isso, temos:
Retorno
TD - IOF - IR - custódia corretora - custódia B3 = Y%a.a
Como
calculei a poupança com 1 ano, nada mais justo que calcular também o tesouro
com impostos de 1 ano. Como não tenho custódia da corretora, esse valor será
sempre 0, assim como o IOF, já que estamos calculando com 1 ano de aplicação.
Retorno
TD - IOF - custódia B3 - custódia corretora = Y%a.a
6,5% -
0% - 0,25% - 0% = 6,25% a.a
(IR =
17,5%)
6,25% -
(6,25% * 17,5%) = ~5,15625% a.a
~0,4296%
a.m.
Uma
diferença mensal de ~0,0581% e de ~0,60% a.a.
Não é
aquela diferença toda, mas o Tesouro rende mais.
Um bom ponto a ser observado é que o
Tesouro busca cobrar a taxa da B3 semestralmente (1º dia útil de janeiro ou 1º
dia útil de julho) e a condição para ser feita a cobrança é: a soma das taxas
devidas de todos os títulos em carteira ultrapassar R$ 10,00. Isso dentro da
mesma conta de agente de custódia. Se tiver cobrança de R$ 5,00 em um agente e
outra de R$ 5,00 em outro agente de custódia, então a cobrança é adiada para a
próxima data até que alcance o valor mínimo de R$ 10,00 num determinado agente de custódia ou chegue a data de
vencimento do título ou ocorra um pagamento de juros ou ainda quando ocorrer a
venda antecipada do título, o que acontecer primeiro. Então é sempre bom ter um
valor que corresponda a essa taxa na conta da corretora.
2 - Ponto para o Tesouro Direto no
quesito rentabilidade.
-
Segurança
A poupança é garantida pela
instituição que a controla, no caso, um banco. Se esse banco quebra, fatalmente
a poupança será diluída a poeira. Isso porque não tem garantias como no caso de
outras aplicações que possuem o FGC - Fundo Garantidor de Crédito.
O Tesouro Direto é garantido pelo
Governo. Então, teríamos que ter a quebra do Governo para observarmos um calote
no pagamento.
O Risco
de Crédito, que é o risco de não ser pago, é muito menor quando se trata de
Governo, consequentemente, os investimentos em títulos como CDB, Debêntures,
LCI e LCA, podem trazer uma rentabilidade maior, pois o nível de risco dele é
maior e pra trazer atratividade é preciso dar um retorno maior para o
investidor.
Bem, se o Governo falir, o restante
que com certeza não estará de pé. Enquanto um banco falir, embora não seja
corriqueiro, me parece mais factível.
3 - O Tesouro levou essa também.
A
conclusão é que o tesouro Direto pode ter suas peculiaridades que dificultam o
entendimento do investidor, embora já tenham muitos materiais e informações
explicando como funciona, mas ainda assim é uma opção melhor que a poupança.
Pelo menos no que tange ao Tesouro Selic. Os demais não fiz as contas até
porque são características diferentes que no meu entender não se encaixam para
servir de reserva de emergência.